Douglas Wires, nasceu em 1971, é casado e mora atualmente no Rio de Janeiro, atuando no mercado de turismo desde 1995. Fluente em inglês, é emissor Amadeus e Sabre de passagens aéreas nacionais e internacionais. Trabalhou em empresas como: VARIG, OCEANAIR e CARLSON WAGONLIT, adquirindo sólidos conhecimentos e experiência em cálculos de tarifas aéreas, supervisão de reservas e negociação de serviços de viagens por telefone e Internet.

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DECEPÇÃO NA DINÂMICA DE GRUPO DA REDE PESTANA

No dia 22JAN2009 fiz uma dinâmica de grupo no hotel Pestana do Rio de Janeiro para a seleção de consultor de vendas. Costumeiramente, antes de ir ao lugar onde seria realizada, acessei o site da rede hoteleira para me familiarizar com os produtos da empresa.

Imaginei que seria uma contratação para telemarketing para vender o cartão de fidelidade deles, porém, quando a dinâmica iniciou, fomos apresentados ao produto que era na verdade pacotes de viagem.

O gerente da equipe de vendas informou aos candidatos que a venda era interna. A rede Pestana captava os clientes em redes de restaurantes e mailing lists, os convidando a visitar o hotel onde os consultores de vendas se encontrariam com eles para apresentar o produto e vendê-lo.

Quando ouvi a proposta de trabalho, me interessei bastante. Não só pelo salário estimado de R$ 3500 mas também pela estrutura do planejamento das vendas. Era algo bem consistente ao contrário de outras ofertas de trabalho de promotor de vendas que tanto se lê nos classificados dos jornais de domingo.

Como qualquer oferta de salário alto, sempre aparece candidatos com nível universitário: advogados, arquitetos, etc. Esse é um dos meus questionamentos até hoje: se diploma universitário fosse bom mesmo, esses candidatos não estariam procurando emprego na área de vendas. Percebia neles uma inexperiência em seleções de emprego nesta área quando um deles perguntou se o trabalho era com carteira assinada. Desde quando havia enviado meu currículo já sabia que se tratava de um serviço comissionado, como em qualquer área de vendas. Só eles que não sabiam. A confirmação veio com a resposta de uma renda fixa de R$ 450 mensais mais a comissão pelas vendas dos pacotes. Detalhe: sem carteira assinada por se tratar de um trabalho cooperativado!

Ao longo dos desempregos que passei e as várias dinâmicas de grupos que fiz, ganhei prática de como se sobressair e avaliar os demais candidatos que disputavam comigo a mesma vaga de emprego. Prestava atenção no que de bom alguns diziam para guardar comigo a oportunidade de responder numa próxima dinâmica àquelas perguntas idiotas e sem sentido que os psicólogos fazem: “Me diga um defeito seu e uma vantagem sua.”, “Qual o seu ponto fraco e qual o seu ponto forte?”, e por aí vai...

Aos poucos fui formando uma cartilha de como se destacar numa dinâmica de grupo:

  1. Escolher sempre na sala uma cadeira que fica de frente para o avaliador. Se as cadeiras da sala estiverem configuradas na forma de um U, a outra alternativa é sentar na primeira cadeira de uma das pontas. A idéia é fazer o avaliador guardar a imagem da sua aparência, como se veste e como se comporta.
  2. Ser o primeiro a se apresentar na sala. Isso mostra iniciativa e desenvoltura e se quiser mostrar que não é tímido, basta fazer a apresentação em pé de frente para os demais candidatos. Foi assim que aconteceu comigo quando passei na dinâmica para comissário de bordo da Varig. Só não fui selecionado porque fiquei no psicotécnico. Aliás, uma reclamação de todos os funcionários que ficavam reprovados, porque era a justificativa da empresa de proteger a contratação dos “peixinhos”, filhos e parentes dos diretores e gerentes da empresa que ali estavam entre nós. Não havia sentido tal reprovação se quando fomos contratados para trabalhar na Varig havíamos feito o mesmo teste psicotécnico!
  3. Não perguntar qual é o salário e a carga horária. Deixa isso para os candidatos curiosos, ou para o avaliador responder durante a apresentação ou quando for fazer a entrevista final.
  4. Direcionar seu discurso de apresentação para o objetivo do cargo. Se é vendas, fale coisas relativas a vendas. Exemplo: “Qual o seu ídolo?”, responda: “Silvio Santos.” e justifique: “Ele é um exemplo de alguém que era pobre e que usando seu talento de comunicação fez fortuna. Admiro ele e gosto de conviver e aprender com pessoas o caminho do sucesso nas vendas porque isso motiva a vencer.”
  5. Traçar uma apresentação de vendas que faça o avaliador sonhar. Geralmente numa dinâmica o avaliador pede para vender um produto e para isso você tem que usar de criatividade para convencê-lo a comprar contigo. Esta técnica de fazer o cliente sonhar é a mesma usada pelos fabricantes de automóveis. Você já ouviu vendedor de automóvel ou comercial de automóvel mencionar o valor do IPVA do carro, o valor do seguro do carro e o valor da manutenção? Pois bem, se isso acontecesse, o cliente despertaria do sonho ao perceber que a imagem de estar dirigindo um carro confortável e que engrandece seu status na sociedade era na verdade uma fantasia que não valeria à pena comprar devido a tantas despesas adicionais e ser um supérfluo.
  6. Preparar-se para responder as perguntas clássicas, como: "Por que você foi demitido?", "Por que você saiu da empresa?", "Por que você quer trabalhar conosco?".

Entretanto, por mais que se tente criar uma fórmula exata que garanta a aprovação em uma dinâmica de grupo, não se consegue devido a outros fatores.

Eu, que estava ali na sala do hotel Pestana, ancioso para me apresentar aos demais candidatos e chamar a atenção do avaliador (gerente da equipe), me decepcionei quando ele começou a perguntar a cada um (após a apresentação do produto e esclarecer as dúvidas dos candidatos): “Qual o seu sonho e qual o seu ídolo?”, e só.

Quando todos terminaram, a dinâmica se encerrou e ele disse que pelas nossas respostas já tinha um perfil traçado dos 3 consultores que estava procurando e que não era para nos preoculpar porque todos ali (o gerente e as duas assistentes dele) já foram consultores de vendas e que por isso sabiam perfeitamente quem estavam selecionando. Nos dispensaram e pediram para aguardarmos o telefonema em casa.

Saí daquela sala decepcionado... Na época que fui demitido da Carlson Wagonlit trabalhei como corretor autônomo da Amil. Passei na dinâmica e no treinamento de vendas que eram eliminatórios e por essa experiência pude ver que a dinâmica de contratação da Amil era muito mais convincente e justa.

A impressão que tive da seleção de contratação de consultor de vendas da rede Pestana é que foi armado ali um teatro com 3 cartas marcadas que já teriam aquele emprego garantido. Precisava-se apenas formalizar para os diretores da rede Pestana uma seleção de emprego para receber os currículos e criar uma lista de candidatos para justificar a contratação desses 3 candidatos, que provavemente não poderiam ser contratados se não houvesse uma seleção de emprego.

Por fim, as empresas investem tanto em marketing para fortalecer a sua imagem e se esquecem de priorizar o que há de mais importante para o sucesso do seus negócios: a qualidade e experiência dos seus funcionários.

AGÊNCIAS DE VIAGENS CAMPEÃES DE EMISSÃO DE PASSAGENS AÉREAS NO BRASIL

A força dos consolidadores pode ser traduzida como a força dos pequenos e médios agentes de viagens em todo o Brasil. Esta massa é muito maior do que os 3 mil associados da ABAV.

Os números da IATA/BSP mostram que são os consolidadores os maiores emissores de bilhetes aéreos internacionais. Vale lembrar que a IATA não tem mais em sua consolidação as emissões domésticas, já que a TAM e a GOL estão fora do BSP, inclusive o segmento de vôo internacional das duas cias aéreas. Ou seja, os dados da IATA referem-se somente às empresas aéreas estrangeiras que operam no país.

Analisando o ranking por número IATA (cada filial ou posto conta como uma unidade), nota-se ainda a predominância das consolidadoras, mas destacam-se, dependendo da região, agências especializadas, agências on-line, que provam seu crescimento e também empresas fora da capital paulista.

Entre as operadoras, a CVC se destaca nas primeiras posições (provavelmente no doméstico seria a número 1), mas em alguns casos poderia estar melhor se fossem contabilizados os fretamentos e a produção com a TAM.

Entre as consolidadoras, o projeto de expansão da Flytour e Gapnet pelo Brasil garante sua liderança. A Esferatur e a Advance são outras que começam a colher frutos de sua expansão. O destaque fica com a Rextur, que praticamente só contabiliza sua produção de São Paulo, mas mesmo assim aparece em 4º. lugar.

A seguir, o ranking com valores em Dólar, dos campeões de emissão no Brasil que poderá lhe direcionar numa boa escolha de uma agência de viagens para se trabalhar.

RESULTADOS DO BRASIL

RESULTADOS POR IATA

Destaque para a boa colocação da Submarino e da High Light, do Rio de Janeiro que conseguiu em 2008 ficar à frente das empresas de São Paulo (com exceção da Rextur) e mesmo do interior de São Paulo, tido como segundo maior mercado do país. Fora do eixo Rio-SP, destaque para o sul do país com Esferatur, Skyteam e Brementur.

Além das empresas especializadas em Oriente, vale destacar que 2008 foi o anos dos Jogos Olímpicos de Pequim, na China, que com certeza impulsionaram as vendas de empresas como BBTUR e Tamoyo.

No ano anterior, o primeiro lugar era da Rextur e o segundo da Flytour. A Advance passou as duas em vendas para a a América do Sul. Nota-se a presença de muitas filiais da Flytour. Os crescimentos da Submarino (240%) e da Esferatur-SP (169%) foram os maiores. A presença da Calcos mostra sua força no segmento. A Porto Fino, campeã do ranking, é de Campinas e uma das maiores vendedoras de American Airlines. Outra empresa de Campinas, a Ancoradouro, conseguiu apenas a 14ª. posição. Flytour, Submarino e Esferatur mais uma vez se destacam.

CRÔNICAS DE VENDAS EM UMA AGÊNCIA DE VIAGENS COM PORTAS PARA A RUA

Dez dias após ter sido demitido da ITS porque meu contrato de experiência não foi renovado, consegui um trabalho autônomo numa agência de viagens localizada na calçada de uma das ruas de Copacabana. A princípio, a proposta era trabalhar como emissor, mas sendo a agência pequena, sem estrutura alguma de departamentos de faturamento, contabilidade e de limpeza... Logo vi que a função de emissor começava a ter outras atividades extras.

Na agência entravam os mais variados tipos de turistas. Os argentinos eram os mais pechincheiros e faziam questão de até 1 Dólar de desconto para comprar contigo. Os americanos pagavam o que você pedia mas os caras achavam que no Brasil as coisas eram como nos Estados Unidos e que tinham que funcionar perfeitamente. Os alemães, japoneses e russos pagavam sem reclamar e saíam calados quando não gostavam do preço. Já os franceses... Bem, os franceses infelizmente comprovaram a teoria de que não gostam de tomar banho. Um deles atendido por mim disse que estava há dois dias sem entrar no chuveiro!

Características à parte, havia também aqueles turistas que compravam os bilhetes aéreos com outras agências em seus países e entravam na agência onde eu trabalhava para pedir ajuda. Isto é... Economizar dinheiro com as despesas do hotel! Sem pagar o custo da ligação para resolverem o problema da mudança da data do vôo de retorno deles, pedindo me o favor de ajudá-los, induzindo-me a ligar para o 0300 a cia aérea, gastando meu tempo e os impulsos telefônicos da agência sem ao menos me recompensarem com uma gorjeta ou comprarem pelo menos um city tour.

Outro fato que me chamou a atenção no trabalho em uma agência de rua, foi o mau-caratismo dos motoristas que fazem traslados. Um falava mal do outro. Diziam que fulano não cumpria os horários, que deixava o passageiro esperando no aeroporto ou que chegava depois da hora marcada para levá-lo do hotel ao aeroporto. Tratava-se do tal do anti-marketing, com o intuito do caluniador ou fofoqueiro monopolizar aquela área de vendas.

À medida que eu ia desempenhando minha função de reservas, emissão e venda de pacotes turísticos aos clientes, meu patrão: um gringo americano casado com uma brasileira e pai de dois filhos e ainda padastro de outro filho dela, começou a me dar novas atribuições, sendo a principal delas: cobrar comissões não pagas.

Passei então a ser responsável pela contabilidade da agência e notei como a desorganização imperava. Antes de mim, já havia trabalhado nela mais de 4 funcionários em menos de 1 ano, e pude ver que nada faziam, exceto sentar na cadeira, atender clientes e navegar na internet. Para a minha surpresa, tinha comissão desde janeiro de 2008 que não havia sido paga pelos hotéis e consolidadoras porque nenhum funcionário havia preenchido uma nota fiscal para enviar a eles a solicitação do pagamento das comissões.

Por outro lado, o dono da agência era totalmente descompromissado com os pagamentos das contas e leigo quanto ao mercado de turismo no que se refere aos procedimentos de reserva e emissão de passagens aéreas. Uma brecha enorme para dar chances aos funcionários de roubá-lo uma vez que não tinha sequer um sistema de controle de registro de vendas como o Infotur ou o Benner, por exemplo. Ele sabia vender os pacotes turísticos da BTR, CVC, Shangrila, etc e alugar apartamentos em Copacabana para turistas, mas era muito displicente em honrar os compromissos com os pagamentos dos serviços dos fornecedores turísticos, criando assim uma rolagem de dívida esperando mais a frente tapar o buraco com as vendas aquecidas na alta estação ou com o aluguel de apartamentos em Copacabana.

Por falar em aluguel de apartamentos, certo dia a proprietária de alguns deles entrou na agência dizendo que o meu patrão devia a ela R$ 40.000 de aluguéis. Perguntei a ela se havia sido feito um contrato com a imobiliária e ela me disse que fez uma negociação verbal com ele, sem contrato assinado. Após ela ter ido embora, o meu colega de trabalho mais antigo me revelou que essa dívida se referia a uma negociação de risco que o nosso patrão fazia frequentemente: ele alugava 2 ou 4 apartamentos no nome da mulher dele e depois os sublocava para turistas, que o pagavam pelo aluguel do período da estadia. Desta forma, o lucro era bem maior do que se recebesse uma pequena comissão e desse a maior parte para o proprietário do imóvel. Entretanto, o gringo não pagava o aluguel da dona do apartamento nem o IPTU. Ou porque gastava todo o dinheiro sem controle algum, ou porque tinha interesse de agir de má fé mesmo.

E os podres não paravam de aparecer... Então veio o cambista cobrar do gringo R$ 11.000 que ele havia emprestado para a agência fazer câmbio. Aqui entre nós: i-le-gal-men-te, pois a agência não tinha autorização para isso. Não só a agência, mas muitas outras lojas de diferentes ramos do comércio que aceitavam moedas estrangeiras ali na Zona Sul. O gringo pegava o dinheiro do cambista para pagar outras dívidas. O cambista, por sua vez estando ilegal, só podia murmurar e esperar a devolução do dinheiro. Chegava a ser engraçado: ambos estavam errados e nenhum podia denunciar o outro à polícia.

Com a alta rotatividade dos funcionários na loja, o número de credores amentava e as comissões a cobrar foram se acumulando também. Alguns documentos de comissionamento estavam guardados numa pasta onde os antigos funcionários colocavam as confirmações de hospedagem dos hotéis e de emissão aérea, mas a grande maioria estava perdida nas pastas de email de cada um deles. Num trabalho de garimpagem fiz em 2 meses o que eles não fizeram em 1 ano, e ainda sendo pertubado pela esposa do gringo que ligava todo dia para a loja perguntando se tinha dinheiro no caixa, sem falar também do gringo querer descontar nos funcionários os problemas pessoais dele.

Disseram para mim que no passado foi pior: o casal brigava na loja e ela quebrava a gaveta para pegar o dinheiro do caixa na frente dos funcionários e ele, sendo um estrangeiro com negócios no Brasil, não podia fazer nada porque tinha o “rabo-preso” com ela e com a justiça também.

Então a “ficha caiu” ao ouvir do meu colega de trabalho o porquê: nenhum estrangeiro pode abrir uma empresa no Brasil sem ter um sócio brasileiro no contrato social da empresa. E sendo a empresa do ramo do turismo, é necessário ter o registro da EMBRATUR para operar legalmente. Foi aí que eu percebi que aqueles 2 sócios no contrato da empresa eram na verdade “laranjas” que emprestaram seus nomes, CPFs e RGs para que o gringo pudesse gerenciar a empresa no Brasil por intermédio de uma procuração assinada por eles.

Um dos “laranjas” era o filho de outro homem que a esposa do gringo tinha antes de casar com ele. O outro, um senhor de mais de 60 anos de idade. Ambos foram prejudicados pela irresponsabilidade do gringo de não pagar contas, o que sujou o CPF deles. Já o atraso do pagamento do imposto de renda, prejudicou o “laranja” mais velho que não podia se aposentar porque seu nome estava registrado no CNPJ da agência de viagens e por isso só poderia sair da sociedade para conseguir a aposentadoria após quitar as dívidas da empresa.

Dei graças a Deus por está trabalhando ali sem carteira assinada, pois temia em “sujar” minha carteira se algum tipo de falência viesse a acontecer ou se o gringo enlouquecesse e retornasse para os Estados Unidos, abandonando tudo no Brasil pois nada o prendia legalmente ao nosso país.

Se isso acontecesse, seria um caos na vida de todos (se é que já não estava sendo). Os “laranjas” teriam que pagar as dívidas que o gringo e sua mulher fizeram e os funcionários não saberiam a quem recorrer ou como fazer para dar baixa na carteira de trabalho. Quando penso nisso, lembro dos meus amigos da Varig, que saíram da empresa depois de mim em 2002, quando a cia aérea estava prestes a falir. Como a Varig não havia depositado o FGTS na conta da Caixa dos funcionários demitidos, não se podia dar baixa na carteira de trabalho deles. Consequentemente eles não podiam trabalhar em outras empresas nem receber o seguro-desemprego!

Quando comecei a trabalhar com o gringo, minha intenção era desde o início ficar com ele até Maio quando o seguro-desemprego terminava. Porém, comecei a me apressar em sair mais cedo mesmo correndo o risco de ganhar uma remuneração menor uma vez que somado o seguro desemprego com o salário que o gringo me pagava dava em torno de R$ 1420.00.

Com a experiência adquirida no turismo ao longo das empresas em que trabalhei comecei a fazer certos ajustes e procedimentos dentro da agência do gringo que estava prestes a falir. Isto é... Para evitar que a empresa falisse enquanto eu estivesse trabalhando nela.

  1. Convenci o gringo a cancelar o contrato com o Amadeus Brasil. Uma despesa contratual de R$ 120 por mês que não tinha sentido da agência ter uma vez que não possuia registro IATA, nem contrato com cias aéreas para emitir bilhetes. Em contra-partida, contactei meu ex-patrão da Dumonde Travel que me deu acesso à instalação gratuita na agência do gringo ao Amadeus dos Estados Unidos, embora a assinatura que usava não tinha permissão para emitir.
  2. Viabilizei para a agência o cadastro nos sites das cias aéreas brasileiras para emitirmos pela internet e diminuir nossas solicitações de emissão às consolidadoras e também as idas ao banco para fazer o depósito dos pagamentos.
  3. Orientei-o a fazer um cartão corporativo porque seria a forma mais simples da agência conseguir crédito nos sites das cias aéreas sem precisar de passar pela burocracia da aprovação de crédito das cias aéreas. O gringo, no entanto, não se mostrou muito motivado por esse conselho. Ele insistia muito que eu conseguisse com as cias aéreas o crédito no site delas para a agência dele emitir com a forma de pagamento faturada. Obviamente, já vendo os podres dele, tentava ganhar tempo o enrolando para que ele não prejudicasse mais ainda os "laranjas" porque percebia que a verdadeira intenção dele era dar um calote nas cias aéreas, embolsando o dinheiro dos passageiros e não pagando as faturas das emissões.
  4. Passamos a trabalhar com o ar-condicionado desligado.
  5. Começamos a cobrar dos turistas, que não eram nossos clientes e que não compravam serviço algum nosso, uma taxa de serviço para resolver os problemas de viagens deles.
  6. Implantei uma mecânica de contas pagas e contas a receber. Antes de mim, os funcionários não registravam as vendas. Iam ao banco, faziam o depósito na conta da consolidadora (porque a agência não tinha crédito com elas para emitir faturado) e enviavam a cópia via fax, porém sem anexar o comprovante de depósito à solicitação do pedido. Após a minha contratação, o depósito passou a ser feito já com o débito da comissão da agência e o comprovante de depósito grampeado na OP (Ordem de Passagem) para que não se perdesse nem se misturasse com outros comprovantes, o que confundia-nos em saber a qual OP aquele depósto se referia. Assim, quando o gringo quisesse fazer uma auditoria para saber qual o valor da comissão referente aquela venda, bastaria diminuir o valor total da OP do valor do depósito.

Percebia assim mesmo que ele não estava nem aí para os procedimentos que eu introduzia, mas para mim o importante era a oportunidade de gerenciamento que estava tendo na prática e mesmo após ter feito essas coisas, nunca ouvi um muito obrigado por parte do gringo. O reconhecimento era o meu salário pago em dia e as poucas coisas que aprendi durante meu convívio com ele:

  • A malandragem do câmbio: Agência de rua tem que ter câmbio porque se o turista for trocar Dólar em outra agência para comprar uma passagem aérea, a mesma agência que fez o câmbio vai induzí-lo a comprar a passagem ali mesmo.
  • Ter uma lista de recomendações de lugares para turistas irem no Rio de Janeiro: Isso é necessário porque numa agência de rua, as pessoas entram pedindo informação a toda hora, interrompendo o atendimento que está sendo feito e se vc parar para explicar e ainda anotar no papel as informações, os demais clientes que estão esperando para comprar contigo poderão desistir devido a demora.
  • Pagar uma pequena comissão (2% ou 4%) aos porteiros, recepcionistas e seguranças dos hotéis próximos a agência que trouxerem ou indicarem hóspedes para comprarem na loja.
  • Cobrar à vista ou exigir um adiantamento de todos os city tours vendidos aos turistas: Numa loja de rua, eles entram, pedem para fazer a reserva e como não pagaram, a agência não tem garantia alguma que eles retornarão para fazerem o passeio. Ou porque outra agência vendeu mais barato para eles ou porque eles desistiram e você ainda além de perder seu tempo teve que ficar depois do horário do expediente os esperando para acompanhá-los até o ponto de partida do passeio.
  • Estabelecer um mínimo de 3 noites de pernoite em apartamentos alugados: Isso porque os turistas que alugam apartamentos de temporada, ficam pulando de um em um até achar um apartamento mais barato ou melhor. Em muitos casos, tal mudança ocorre por influência do assédio de alguns proprietários que também alugam quartos no mesmo prédio em que estão. Ou seja, lucro baixo para perder tempo e ganhar aborrecimentos não compensa o esforço pelo aluguel de um apartamento por 1 ou 2 noites.
  • Agências de viagens que prestam atendimento ao público devem trabalhar com tarifas comissionadas de hotel, carro e de pacotes turísticos. Isso evita que o cliente, ao olhar o monitor exibindo a tabela de preços, descubra o markup que o agente está o cobrando na venda. As tarifas netas são indicadas para as agências que atendem o público por telefone, email ou chat.
  • As cotações pedidas pelos clientes devem ser enviadas por email. Porém, nas lojas de atendimento ao público, além desse procedimento, é recomendável cotar o serviço manuscrito em papel timbrado da agência. Evite desperdiçar tinta e papel da impressora imprimindo tais cotações para o cliente. Isso não dará garantias que ele voltará e comprará contigo após cotar com outras agências.
  • Não fazer negócios com free-lancers ou guias turísticos que alugam por temporada seus apartamentos em Copacabana, porque eles costumam roubar os clientes das agências oferecendo city tours aos hóspedes.

Em 27JAN2009 eu tive a benção do Senhor de conseguir um emprego com carteira assinada e poder sair da agência do gringo. A paz e tranquilidade voltaram e por mais inseguro que fosse o meu trabalho naquela agência, foi bom enquanto durou.

BRASILEIROS PAGAM MAIS CARO POR BILHETE INTERNACIONAL

Na briga com o Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (Snea), que impediu na justiça o início da liberação tarifária internacional para outros destinos além da América do Sul (já com a liberação em vigor), a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) fez um levantamento para mostrar que o brasileiro paga mais caro por bilhetes internacionais e que a resolução proposta pela agência visava à diminuição dessa diferença.

A Anac usou o sistema Sabre no dia 5/1 e constatou que enquanto um bilhete São Paulo-Miami-São Paulo, pela Tam, sai por US$ 1.118, um Miami-São Paulo-Miami, com a mesma Tam, custa US$ 750. Na American, o bilhete saindo do Brasil, também para Miami, tinha tarifa (no dia 5/1) a US$ 1.171. Comprando nos Estados Unidos, cai para os mesmos US$ 750.

Para Paris, com a Air France, a passagem SP-Paris-SP custa US$ 1.106 e o trecho comprado na França (Paris-São Paulo-Paris) US$ 898. Na British, para Londres, a diferença é de US$ 969 (compra no Brasil) e US$ 731 (comprando em Londres).

Com a resolução da Anac, as companhias poderiam dar 20% de desconto a partir de 1o de janeiro, 50% em abril, 80% em julho e qualquer percentual em janeiro de 2010, em total liberdade tarifária. Os descontos seriam pelas tarifas estipuladas pela Anac, que, para os Estados Unidos, por exemplo, são de US$ 708, para a França, US$ 869 e para a Inglaterra também US$ 869.

A Anac tenta, primeiro informalmente, conseguir que a justiça libere o início da resolução.

VÍTIMAS DE INTOXICAÇÃO DO CRUZEIRO MSC CHEGAM AO RIO DE JANEIRO

Os 390 passageiros que foram vítimas de intoxicação e passaram mal a bordo do navio MSC Sinfonia desembarcaram na manhã deste sábado, no pier da Praça Mauá, no Rio.

O drama dos passageiros continua. Dois deles, uma dona de casa e um menino de 14 anos, precisaram desembarcar de cadeira de rodas porque ainda estavam passando mal. A mulher foi levada de ambulância para a Clínica São Vicente.

Eles começaram a passar mal, neste sábado, pouco antes do desembarque. A filha da dona de casa, que também passou mal durante a viagem, e um outro passageiro pensam em processar a MSC Sinfonia.

Ela disse que teve dificuldades para socorrer a mãe porque funcionários do navio não teriam ajudado a pedir a ambulância do Píer Mauá.

Todos reclamaram do caos no atendimento por causa da grande quantidade de pessoas doentes e disseram que nunca mais viajariam pela emrpesa. A Anvisa fez nova vistoria na embarcação hoje, pela manhã, mas o laudo só deve sair em uma semana.

Transtornos de viagem

A embarcação ficou retida em Salvador para que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) pudesse fazer uma vistoria, já que muitas pessoas haviam relatado vômito, diarréia, febre, dores de cabeça e abdominal.

A embarcação passou por inspeção sanitária e alguns problemas foram detectados como o excesso de teor de cloro na água servida aos passageiros e na conservação de alimentos perecíveis. A conclusão do laudo vai depender de análises em laboratório.

A MSC informou que o fornecimento de água potável foi suspenso, e os passageiros passaram o resto da viagem bebendo apenas água mineral. A empresa se comprometeu também a compensar os passageiros pelo transtorno sofrido.

Segundo a Anvisa, se ficarem confirmadas todas as denúncias com relação ao cruzeiro, os donos da empresa podem ser multados de no mínimo, R$ 2 milhões.

Caos no mar

O surto de gastroenterite que atacou quase 400 dos dois mil passageiros do navio MSC Sinfonia, pode não ter sido o primeiro.

Passageiros que estiveram na mesma embarcação em cruzeiro realizado entre os dias 4 e 12 de dezembro último, no trajeto Ilha Bela-Punta Del Leste, disseram que muitas pessoas também passaram mal durante a viagem.

Segundo a guia de turismo Rosângela Queiroz Schnaider, 53 anos, cerca de 50 passageiros teriam procurado a enfermaria com os mesmos sintomas apresentados agora: vômito, febre, diarréia e dores intestinais.

“Era muita gente passando mal e vomitando nos corredores do navio, eu cheguei até a perder a consciência. A enfermaria estava cheia, tinha mais de 50 pessoas, com certeza. Eles falaram que era normal passarmos mal, por causa do balanço. Mas agora acho que tem alguma coisa de errado, porque aconteceu no mesmo navio e com trajetos diferentes, é muita coincidência”, disse Rosângela.

No site de relacionamentos Orkut, diversas páginas relacionadas a cruzeiros do MSC Sinfonia relatam alguns casos parecidos, ocorridos em datas diferentes.

A assessoria de imprensa da MSC, no entanto, informou que não tem conhecimento de sintomas semelhantes ocorridos em outras viagens, mas promete investigar as reclamações.

PASSAGEIROS ENGANADOS NA COMPRA DE BILHETES FALSOS DO CRUZEIRO MSC

Fonte: Jornal O Globo 10/jan/2009

Um grupo de 96 passageiros que iria embarcar sexta-feira em uma viagem do Rio à Argentina na embarcação MSC Sinfonia, da empresa MSC Cruzeiros, ficou a ver navios. Cada um pagou cerca de R$ 5 mil à agência de viagens Porto Rio que, segundo os passageiros, é credenciada da MSC Cruzeiros. Mas, na hora do embarque, eles descobriram que os nomes sequer estavam na lista. Vinte pessoas registraram queixa de estelionato na 12ª DP (Copacabana), na área onde fica a sede da agência.

O navio MSC Sinfonia foi o mesmo em que, num cruzeiro pelo Nordeste, 464 passageiros passaram mal quinta-feira após ingerir comida estragada. A embarcação atracou ontem no Pier Mauá. A MSC também organizou o cruzeiro em que a universitária Isabela Negrato morreu asfixiada, em dezembro. Investiga-se se ela ingeriu álcool e drogas. Ontem, a gaúcha Clony Resende, de 74 anos, morreu a bordo do MSC Musica. A assessoria de imprensa da empresa disse que ela teve uma parada cardíaca.

A advogada Sandra Tamburini contou que os tíquetes para o Uruguai foram vendidos por Flávio Potieri Monteiro. Mas, ao procurar a agência, foi informada de que ele seria freelancer e que a empresa não se responsabilizaria pela venda. Sandra afirmou ainda que a Porto Rio vendeu os mesmos quatro bilhetes numerados para cem pessoas.

Em nota, a MSC Cruzeiros informou que teve falsificados os tíquetes de 25 cabines (de um total de 800), para um cruzeiro feito por uma agência do Rio. Na Porto Rio, ninguém foi encontrado para comentar o assunto.

CALOTE DE AGÊNCIAS NA COMPRA DOS PACOTES TURÍSTICOS DOS BRASILEIROS

Fonte: Jornal Nacional 05/jan/2009

Muitos brasileiros aproveitam esta época de férias para viajar, mas, em alguns casos, a viagem planejada há meses pode acabar em muita frustração.

A funcionária pública Renata Albuquerque planejou a viagem com seis meses de antecedência. Pagou à vista à agência Mix Turismo, de Brasília: R$ 60 mil para passar o Natal e o réveillon na Disney, mas, para desespero das crianças, a viagem terminou no aeroporto de Miami. A agência não havia pago o hotel, o aluguel do carro e os passeios no parque.

“Foi muito difícil para a gente, até hoje elas ficam questionando e é difícil. Não dá para consolar”.

A veterinária Alice Campos desembarcou no domingo em Brasília depois de passar dificuldades em Arraial da Ajuda, na Bahia. O pacote da agência Impacto Turismo prometia hospedagem e ingressos para os shows nas festas de fim de ano.

Alice diz que foi enganada. Ela e outras 45 pessoas prestaram queixa à delegacia. “Não tinha guia, não tinha translado e eu descobri que minha passagem de volta era falsa”.

No Recife, 28 pessoas procuraram a Delegacia de Repressão ao Estelionato. A reclamação é contra a agência Contact Travel por receber o dinheiro dos clientes e não entregar as passagens.

Hoje, não há um controle federal sobre as agências. Só a partir de março, elas serão obrigadas a se cadastrar no Ministério do Turismo e poderão ser punidas com a perda do registro. Em caso de descumprimento dos contratos, o consumidor deve dar queixa à polícia e procurar o Procon.

O Procon tem o poder de fechar a agência de turismo que cometer as irregularidades e aplicar multas de até R$ 3 milhões, mas, para conseguir o dinheiro de volta, o consumidor terá de acionar a Justiça.

“E tem que ser rápido antes que essas empresas desfaçam-se de algum patrimônio existente”, alerta José Vieira, vice-presidente do Procon/DF.

No depoimento à policia, um dos sócios da Impacto Turismo disse que não participava das vendas de pacotes. O outro sócio já depôs e, segundo a polícia, vai responder por estelionato.

O caso da Contract Travel também está sendo investigado pela polícia no Recife. A agência Mix Turismo não se pronunciou sobre os problemas mostrados na reportagem.