Douglas Wires, nasceu em 1971, é casado e mora atualmente no Rio de Janeiro, atuando no mercado de turismo desde 1995. Fluente em inglês, é emissor Amadeus e Sabre de passagens aéreas nacionais e internacionais. Trabalhou em empresas como: VARIG, OCEANAIR e CARLSON WAGONLIT, adquirindo sólidos conhecimentos e experiência em cálculos de tarifas aéreas, supervisão de reservas e negociação de serviços de viagens.

SITES DE LEILÕES DE 1 CENTAVO NÃO É CANAL DE VENDAS DE PACOTES TURÍSTICOS

Uma investigação do G1, em Agosto de 2011,  mostrou que esse sistema, que utiliza incorretamente o nome de leilão, cria várias possibilidades de fraude e que as autoridades não sabem quem deve fiscalizar esses sites ou como seria possível o internauta identificar um golpe.


Procon e a empresa de antivírus Kaspersky recomendam até que os usuários tenham cautela ao se cadastrar em alguns destes sites, já que há indícios de que alguns destes portais façam parte de redes criminosas responsáveis por hospedar trojans bancários, páginas de phishing [clones de sites bancos] e enviar mensagens de spam. Além do risco do usuário ter seus dados pessoais roubados ainda na compra dos créditos dos lances e  nunca conseguir vencer o leilão.

COMO FUNCIONA A MODALIDADE DE LEILÃO DE CENTAVO
No chamado leilão de um centavo, é necessário pagar para dar lances. O valor de venda é a somatória dos lances de um centavo. Um telefone celular, por exemplo, pode sair por R$ 19,50. O vencedor do leilão paga este valor pelo produto, mas o site recebe ainda o valor cobrado por cada um dos 1.950 lances dados por todos que participaram do leilão. Se a página cobra um real por lance, ela recebe, no total, R$ 1.969,50 na negociação. Todos os usuários que não ganharem o leilão já pagaram pelos seus lances e não podem reaver o dinheiro. Na prática, é pagar para não levar nada. Isso está claro nas regras da maioria dos sites, e não há, na análise das autoridades consultadas pelo G1, nenhum crime neste sistema de venda.

Porém, o programa de leilões analisado pelo G1 permite que os sites criem usuários fantasmas que vençam as negociações, impedindo que um cliente real leve o produto. Com isso, o internauta nem sequer pode saber que houve uma fraude.


O painel de administração de um site de leilões visitado pelo G1 mostra a presença de opções como valor mínimo do produto antes do leilão terminar e a presença de cadastro de um “usuário bidding” (“usuário apostador”), que é bem mais curta que um usuário normal: ele não tem, por exemplo, o cadastro de um endereço físico. Mesmo assim, ele pode dar lances e vencer os leilões.

Há ainda a possibilidade, confirmada por uma empresa de desenvolvimento de sites de leilão, de usar "robôs" para dar lances automáticos e acabar com as chances de usuários comuns vencerem a disputa. Com R$ 15 é possível comprar scripts prontos que executam  uma “rotina” que faz com que sempre que um usuário faça um lance o sistema efetue um “boot” com um lance em valor superior, cobrindo a oferta do usuário no último segundo. Outra forma do uso desses “robôs” é “travar” o site na hora em que o lance é efetuado e que, na volta, não registre o lance do participante do leilão.

Está claro o uso de um artifício fraudulento para obter-se vantagem financeira em detrimento de uma ou mais vitimas!

Em sites de leilões pela internet, os valores nominais de venda dos produtos são normalmente 90% abaixo do valor de mercado. Esse valor, no entanto, não leva em conta o preço dos lances, que é onde a empresa lucra.

Guilherme Pizzini, sócio-diretor do site de leilão Olho no Click, que aparece inclusive na reportagem do vídeo nesse artigo, acredita que o site não é como um jogo de azar. “O usuário não depende única e exclusivamente da sorte. Ele sempre tem a opção de ofertar mais um lance”, diz. E quando questionado sobre outros modelos de negócios em que o usuário paga sem a garantia de receber um produto, Pizzini citou como exemplo um seguro de carro. “É um serviço que a pessoa paga e espera não levar. No nosso caso também, prestamos um serviço. A pessoa paga e recebe os lances."

OS LANCES SUSTENTAM O LUCRO DA EMPRESA
A falta de legislação e regulamentação para definir o funcionamento dos leilões online faz com que os empresários que apostam no negócio corram o risco da atividade tornar-se ilegal. Foi o que aconteceu com os antigos “leilões de menor preço único”, nos quais a oferta vencedora era a de menor valor que tivesse sido feita por uma só pessoa. Eles foram proibidos depois de serem classificados como jogos de azar.

O que diferencia leilões de centavo desses jogos, dizem especialistas, é que, nos leilões de menor preço único, o cliente depende de dinheiro, e não de sorte, para arrematar produtos. No caso dos leilões de centavo, o consumidor pode sempre dar mais um lance se quiser ganhar. A receita da empresa vem do volume desses lances, onde cada centavo = R$ 1 que somados e debitados o valor do produto/serviço resulta no lucro da empresa.

Até mesmo quando há falência da empresa, o comprador que não utilizou os seus lances fica no prejuízo, como mostra esse testemunho no site RECLAMEaqui.com.br, que comprova que o tempo de duração do site OLHOnoCLICK no mercado foi menos de 4 anos!

O QUE DIZ O CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR 
Quando o usuário dos sites de leilão de 1 centavo se arrepende de comprar os lances, ele pode cancelar a compra em até sete dias e tem o direito a ter todo o valor restituído, inclusive o frete. Mas, quando o usuário gasta um pacote de lances e não arremata nada no leilão, este é um risco que ele está correndo, já que ele não adquiriu o produto e sim o direito de dar lances por aquele produto.

O que o consumidor tem o direito de exigir é que este serviço seja prestado da maneira correta, ou seja, não pode haver robôs ou outros sistemas que frustrem o lance efetuado pelo consumidor. Caso seja provada a fraude, a empresa pode ser enquadrada no crime de prática abusiva, previsto no Código de Defesa do Consumidor, e multada em um valor entre R$ 202,82 e R$ 3,1 milhões.

CONCLUSÃO DE DOUGLAS WIRES
Nesses sites de leilão, a compra, sem golpes, só é arrematada quando os lances dos usuários cobrem o valor  do produto ou serviço e ainda sobra um lucro para a empresa. O percentual do lucro para o fechamento do leilão dependerá do quanto a empresa quer ganhar sobre a venda: 10%, 20%, 50%, etc.  Ou seja, trata-se de uma modalidade de pirâmide ou “vaquinha”, onde muitos usuários juntam o valor dos seus lances para contemplar o prêmio a um único ganhador. Porém, para evitar que o leilão se torne num prejuízo para a empresa, os sites de leilão de 1 centavo põem em prática o uso dos robôs ("usuários fantasmas"), que impedem que um ganhador real vença o leilão, mantendo assim o prêmio dentro da empresa, e lesando o consumidor devido a perda dos lances que já havia dado, o que torna esses sites de leilão em verdadeiros caça-níqueis, onde perde-se mais do que se ganha. 


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