Douglas Wires, nasceu em 1971, é casado e mora atualmente no Rio de Janeiro, atuando no mercado de turismo desde 1995. Fluente em inglês, é emissor Amadeus e Sabre de passagens aéreas nacionais e internacionais. Trabalhou em empresas como: VARIG, OCEANAIR e CARLSON WAGONLIT, adquirindo sólidos conhecimentos e experiência em cálculos de tarifas aéreas, supervisão de reservas e negociação de serviços de viagens.
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QUANTO GANHA UM AGENTE DE VIAGEM?

Eu nunca pensei na minha vida que um dia seria agente de viagem. As circunstâncias do trabalho me levaram a essa profissão sem eu jamais ter a cogitado para o meu futuro. Tudo começou quando entrei na VARIG com a intenção de me tornar comissário de bordo. Cheguei a participar de duas seleções internas mas em todas elas não fui selecionado devido a tradicional política do QI. Se os diretores e gerentes  eram Quem Indicavam seus filhos para serem selecionados, então você  que não tinha um QI ficava de fora, por mais que fosse ótimo na seleção!

Mal sabia eu que durante os meus 5 anos de trabalho na Central de Atendimento de Reservas da VARIG (RIORA), minha profissão  de agente de viagem já começava a surgir. Meu salário era de R$ 642,00 na carteira e trabalhava somente 6 horas por dia para atender os clientes da VARIG que desejavam fazer reservas de vôos e resolver problemas de viagens.

Quando a VARIG começou a dar os primeiros sinais de falência, fechando inclusive o departamento de reservas no Rio, foi que comecei a conhecer o mercado do turismo mais profundamente. Ao ser demitido da VARIG em Outubro/2000, 1 mês depois já tinha sido contratado pela consolidadora de viagens ITS para atender as agências de viagens, fazendo o mesmo que fazia na VARIG: cálculo de tarifas e reservas. Eu só tinha o 2º. grau completo!

Foi a partir dessa mudança que percebi que as agências de viagens não exigiam do candidato diploma de turismólogo, e sim experiência nas ferramentas de trabalho, e modéstia a parte, eu era craque no Amadeus! Para a minha sorte, quando entrei na VARIG sem experiência alguma , a VARIG me deu o conhecimento gratuito que precisava, treinando eu e uma turma de 7 novos funcionários para saber manusear esse GDS.

Para quem deseja se tornar um agente de viagem sem custos, a  dica que dou é ser contratado por uma agência de viagens. Não importa o que você vai fazer: faturamento, atendimento de reserva de hotel, office-boy  ou emissor. O importante é ser contratado por uma agência, porque dessa forma, a agência poderá te encaminhar para fazer  gratuitamente o curso do GDS que ela opera. E se ela não quiser te aproveitar, você pelo menos já tem um certificado em mãos para bater na porta de uma outra agência. Agora, se você não conseguir ser contratado por uma agência de viagens, então a opção que resta para aprender a manusear um GDS é pagar pelos cursos de agente de viagem que a ABAV de cada estado disponibiliza. 


Mesmo pagando, sai mais barato do que a mensalidade de uma faculdade de turismo!


Ao longo da minha carreira, muitas empresas passaram no meu currículo. Cada uma com uma ferramenta diferente: SABRE, GALILEO, ferramentas self-bookings e de back-office, Outlook, One note... Tudo isso faculdade alguma não ensina e eu tive que aprender sozinho e pedindo ajuda aos colegas ao lado que pouco sabiam e ainda tinham má vontade em ensinar. Em suma... Nada mudou se comparado ao mercado de hoje: as agências de viagens não exigem que os candidatos estejam fazendo faculdade de turismo, os contratam pela sua experiência em carteira como forma de ter segurança no serviço prestado e pouco ensinam a eles como manusear adequadamente as ferramentas que utilizam. Simplesmente te jogam no trabalho e você que se vire!

Pude perceber também nas agências onde trabalhei, que alguns colegas de trabalho foram no passado office-boys da agência, que tiveram uma oportunidade  e conseguiram mudar de profissão, ou deveria dizer... Mudar o salário na carteira?

Existem duas formas de ser remunerado no turismo: uma é ter um salário fixo alto e outra é ter um salário fixo baixo + comissão. Eu trabalhei com esses dois tipos de remuneração e hoje vejo que a remuneração com comissão seria a mais indicada para a atual realidade do mercado do turismo. Primeiro, porque as cias aéreas estrangeiras não pagam mais comissão para as agências que emitem bilhetes internacionais e segundo, porque a disputa por clientes é tão prostituída (a agência oferece o menor preço ganha a venda) que se você ganhar um salário alto (+R$ 1200) e depois a sua agência perder uma conta para um concorrente, a tendência é ela te demitir para equilibrar as despesas. Ao contrário do que não aconteceria se você tivesse um salário baixo + comissão.

Trabalhando com remuneração de comissionamento, minha média salarial no ano de 2009 a 2011 foi de R$ 2500 + benefícios.

Existem agentes (também sem curso universitário) que ganham nessa mesma faixa salarial e sem comissão. Mas são poucos e afortunados os que recebem esse salário porque precisam ter a sorte de trabalhar numa agência que presta serviços de viagens a órgãos governamentais. Um emissor de passagens aéreas nacionais recebe R$ 2500 e um emissor de passagens internacionais, R$ 3500. Mas isso não é pago totalmente pela agência. Na verdade, a conta governamental (não posso dizer o nome da empresa do Governo que faz isso)  paga a metade e a agência complementa a outra. O problema, é quando termina o contrato de 4 anos de prestação de serviços de viagens. Esses emissores são então demitidos porque a agência onde trabalham não tem condições de manter essa remuneração e poucos deles são reaproveitados pela nova agência que ganhou a licitação.


Em geral, no Rio de Janeiro, o salário pago pelas agências  de viagens  corporativas  para recém contratados é R$ 1500 + benefícios. Já quem trabalha na área de Lazer,  ganha um salário fixo menor ou igual a R$ 941.00  +  comissão (que varia de 4% a 10%). Esse salário inicial é o mesmo para alguém que se formou num curso de turismo na faculdade. Porém, um emissor internacional bilíngue pode ganhar até R$ 2200 por mês e sem comissão, se comparado a um turismólogo que ganharia muito menos para fazer a mesma função.




A  agência que deseja contratar um funcionário e não sabe qual a faixa salarial paga no mercado pode recorrer ao Sindicato do Turismo que possui uma tabela salarial com valores referenciais de mercado e que podem ser consultados pelo empregador. E isso é muito importante para apurar custos com despesas salariais, aluguel, contas de telefone, água e internet.

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