Douglas Wires, nasceu em 1971, é casado e mora atualmente no Rio de Janeiro, atuando no mercado de turismo desde 1995. Fluente em inglês, é emissor Amadeus e Sabre de passagens aéreas nacionais e internacionais. Trabalhou em empresas como: VARIG, OCEANAIR e CARLSON WAGONLIT, adquirindo sólidos conhecimentos e experiência em cálculos de tarifas aéreas, supervisão de reservas e negociação de serviços de viagens.

TEMPESTADES E OS EFEITOS NAS ROTAS AÉREAS DOS VÔOS

FONTE: O Globo, 13/JUN/2009

Depois da tragédia do voo 447, especialistas defendem que sejam feitos estudos para o redirecionamento de rotas aéreas durante períodos do ano em que a Zona de Convergência Intertropical é mais intensa. Análises feitas a partir de imagens captadas por um satélite meteorológico da Eumetsat (Organização Europeia para a Exploração de Satélites Meteorológicos) revelaram uma trágica coincidência: no momento em que o Airbus da Air France entrava na banda de nuvens da Zona de Convergência Intertropical houve um rápida intensificação da tempestade, que pode ter surpreendido o piloto.


Os dados foram captados pelo satélite Meteosat-9 e processados pelo laboratório de recepção e processamento de imagens de satélites (Lapis), na Universidade Federal de Alagoas. Com base nas imagens captadas no momento em que o voo AF 447 cruzava a região do Atlântico, acredita-se que a aeronave pode ter enfrentado condições meteorológicas adversas de rápido desenvolvimento que podem ter desempenhado um papel importante no acidente.

Avião pode ter encontrado condições únicas

" Essas tempestades de rápido desenvolvimento e, muitas vezes, inesperadas, podem ter desempenhado um papel importante no acidente. Alguns cúmulos-nimbos podem ter se intensificado muito rapidamente durante a passagem do avião, ocasionando portanto a tragedia. Trata-se de uma situação muito rara numa área de rota de vôo.

Segundo cálculos feitos a partir dos dados do satélite, a temperatura dos topos das nuvens chegava a 83 graus negativos na região do acidente, influenciada por pulsos da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT). Essas condições não poderiam ser previstas com antecedência. Pode ter havido condições únicas encontradas pelo avião na passagem da região, que apresentava alta turbulência. Este padrão de temperatura é frequentemente visto com tempestades que produzem granizo e intensas correntes de ar ascendentes e descendentes.

A a temperatura do mar na região do acidente também é outro fator que ajudou a ZCIT a ficar mais intensa. Em média, a temperatura da região estava próxima dos 28 graus Celsius, o que é uma temperatura crítica para formação de tempestades tropicais.

Por meio de gráficos que mostram um histórico da evolução da frequência de tempestades na região e das variações de anomalias de temperaturas do Atlântico, de 1910 a 2009, registrou-se que a temperatura do Atlântico subiu 1,2 grau Celsius. Coincidentemente, as tempestades na região aumentaram em média de 6 para 16.

Para o ex-piloto Carlos Germano, o reexame das rotas na região deverá ser um dos resultados da investigação:
- O tráfego aumentou muito e a situação meteorológica também tem se modificado bastante. Estas rotas de longa distância têm hoje um certo limite de autonomia que não permite longos desvios. Isso tem que ser reavaliado. A única forma plausível é evitar a proximidade do avião com os fenômenos naturais.

Segundo ele, um desvio na rota aumenta a extensão do voo e também o consumo de combustível.
- O avião precisa ter um peso máximo de decolagem em função de temperatura, altitude e dimensão da pista, que é uma grande limitação. Para viajar com mais combustível, ele precisará ter menos carga. Mas com as formações meteorológicas cada vez mais imprevisíveis, alguma mudança terá de ser feita.

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