Douglas Wires, nasceu em 1971, é casado e mora atualmente no Rio de Janeiro, atuando no mercado de turismo desde 1995. Fluente em inglês, é emissor Amadeus e Sabre de passagens aéreas nacionais e internacionais. Trabalhou em empresas como: VARIG, OCEANAIR e CARLSON WAGONLIT, adquirindo sólidos conhecimentos e experiência em cálculos de tarifas aéreas, supervisão de reservas e negociação de serviços de viagens.

A ARTE NO TURISMO

Fonte: "A Arte Para Compreender o Mundo"
Véronique Antoine-Andersen - editora SM

Desde a antiguidade a terra é representada na forma de mapas. Em Alexandria, no ano 150, Ptolomeu criou um dos primeiros mapas do mundo. Essas representações transformaram ao longo dos séculos, com a evolução das crenças, as descobertas e os progressos técnicos.
As viagens de Marco Polo, Fernão de Magalhães e de muitos outros aguça a curiosidade de todos. Artistas e sábios querem fazer um inventário do mundo. O desenho, aliado à observação da realidade objetiva, se revela o melhor instrumento para descrever a natureza.

Os mapas combinam arte e ciência, imaginação e realidade. No século XVII, os holandeses difundiram por toda a Europa mapas e atlas ilustrados que são obras-primas do ponto de vista artístico e também muito precisos geograficamente. Instrumentos de conhecimento e de conquistas, esses mapas eram muito úteis para os navegadores, os militares e os comerciantes, em suas viagens.

Os Portulanos, mapas do final do séclo XIII, elaborados especialmente para guiar os navegantes, tinham como finalidade traçar as costas litorâneas com precisão. As grandes expedições do seculo XVI dependiam desses mapas marítimos para ser bem-sucedidas.

Este mapa acima faz parte do Atlas Miller, considerado uma das obras-primas da cartografia do Renascimento. Ele ilustra as terras descobertas pelo português Vasco da Gama, em especial as do Brasil, da Índia e da Arábia. O artista representou maravilhosamente cada região, com sua flora e fauna, ilustrando-o inclusive com uma criatura imaginária (dragão) que se pensava que existisse no Brasil. Tais imagens no mapa despontam no leitor o sentimento de aventura e desbravamento do desconhecido. Algo muito similar nos folders de turismo aventura nos dias de hoje encontrados nas agências de viagens.

Os primeiros cadernos de viagem começaram a surgir no começo do século XIX, quando os meios de transporte se desenvolvem de forma acelerada e os pintores partem em diligências ou em barcos para descobrirem o mundo como verdadeiros repórteres, registrando suas recordações de viagens em um tempo onde a máquina fotográfica ainda não havia sido inventada. As paisagens imaginárias feitas nos ateliês dão lugar às imagens ao vivo. Com técnicas como aquarela, guache e desenho, cujos materiais são fáceis de carregar, eles registram suas impressões das viagens. Em certos casos esses cadernos de viagem são verdadeiros guias turísticos!

William Turner
Nantes, 1829-1830 - aquarela

Todo verão, o pintor inglês William Turner percorria a Europa. Graças aos seus 300 cadernos cheios de anotações e desenhos, podemos acompanhar os itinerários: Paris, Veneza, Suiça, o rio Reno, a Normandia... Numa viagem ao longo do rio Loire, ele parou em Nantes. Lá, ele esboçou a lápis os monumentos, o porto e as margens do rio. Turner, dominava perfeitamente a aquarela, tendo seus segredos de ofício como molhar certas aquarelas inacabadas para misturar as cores para obter tais resultados nessa gravura.

Eugène Delacroix
Entre os séculos XVIII e XIX, pintores e escritores ficaram fascinados pelo Oriente. Muitos viajaram para lá, como Delacroix, que acompanhou uma missão diplomática ao Marrocos em 1832. Em Tânger, ficou maravilhado com a luz, as cores e as cenas de rua. Durante um mês, percorreu a cidade e esboçou tudo o que viu nas esquinas. Os cadernos de vagens de Delacroix registram a arquitetura, os costumes, os rostos e os ambientes do país.

Mulheres de Argel, 1832 - aquarela

Johann Moritz Rugendas
Rua Direita no Rio de Janeiro, 1822-1825 - lápis e nanquim sobre papel

A vida nos trópicos foi retratada pelo alemão Rugendas, que veio ao Brasil pela primeira vez aos 19 anos, em 1822, acompanhando uma expedição científica. Alguns de seus desenhos foram publicados num álbum de gravuras chamado Viagem Pitoresca Através do Brasil. Na ilustração acima, o que você imagina que está acontecendo na Rua Direita?

O progresso da imprensa, no século XVI, permite criar técnicas eficientes de reprodução, gerando ampla difusão das imagens e dos novos conhecimentos. Porém, essa aproximação entre arte e ciência receberá um grande golpe no século XIX, com a chegada da fotografia, uma vez que a Arte não pode competir com a precisão e a rapidez da câmera fotográfica. Os artistas tinham sido os responsáveis pelas primeiras imagens científicas, mas a fotografia deslocou a Arte para outro campo.

O que então dizer com o advento do computador no século XXI e das fotografias tratadas com Photoshop? Até mesmo no turismo, o Photoshop está presente para "maquiar" os quartos de hotéis dando a impressão de serem largos, espaçosos e limpos! Seja nos folders ou nos sites, todo cuidado é pouco para não deixar se levar por uma bela imagem que poderá decepcionar o turista ao se deparar com a realidade.

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